«A Secção de Judo da Casa do Povo de Rio Maior gostava de contar consigo no dojo do Estádio Municipal»
Sob este título o jornal Região de Rio Maior publicou em 16/10/2015 uma entrevista com o vice-presidente da Casa do Povo, João Piedade. Agora pode ler aqui excertos dessa entrevista.
João Piedade, judoca, cinturão negro, treinador de Judo e vice-presidente da Casa do Povo de Rio Maior.
O Judo é a única secção desportiva da Casa do Povo de Rio Maior. João Piedade, judoca, cinturão negro e treinador de Judo é vice-presidente da direção desta Casa do Povo.
A Secção de Judo tem décadas de existência e um vasto palmarés, tendo produzido alguns campeões nacionais.
Atualmente a Casa do Povo de Rio Maior tem uma judoca de projeção nacional e internacional, a luso-cubana riomaiorense Yahima Ramirez, que conquistou a Medalha de Bronze no European Judo Open Women 2015 – Taça da Europa de Judo em Femininos, disputada em Odivelas no segundo fim de semana de outubro.
Foi acerca desta vertente desportiva da instituição que estivemos a falar com João Piedade.
Região de Rio Maior ( Região ) – Qual é o estado de saúde da Secção de Judo da Casa do Povo?
João Piedade ( JP ) – Neste momento, em termos de atletas estamos razoáveis, temos mais de 50… Mas quantos mais tivéssemos, melhor! Não estarão todos em atividade ao mesmo tempo mas são entre 50 a 55, em todos os escalões.
Região – Em que escalão é que a Casa do Povo obtém melhores resultados?
JP – Estamos a obter os melhores resultados em Cadetes, entre os 15 e os 17 anos de idade.
Região – Provavelmente porque os jovens dessa faixa etária estão mais disponíveis…
JP – Sim, também por essa razão. Todos nós, os adultos a partir dos 20 anos, que estamos a praticar, trabalhamos e o Judo acaba por ser só um complemento, para aliviar o stress e manter a forma física.
Região – Além de si, a Casa do Povo tem outros treinadores?
JP – Estamos três a exercer a atividade de treinadores mas felizmente, ao todo somos sete os treinadores inscritos e aptos a dar treino.
Região – Quer falar dos resultados mais significativos obtidos já em 2015?
JP – No escalão sénior, Yahima Ramirez, na categoria de -78 kg, em 3 de maio foi 9ª classificada no Grand Prix de Zagreb (Croácia); em 31 de maio foi 2ª no Open Europeu de Cluj (Roménia); em 26 de julho foi 1ª no Open Asiático de Taipei (República da China); em 4 de outubro foi 4ª classificada no Grand Prix de Tashkent (Uzbequistão) e finalmente em 10 de outubro ficou em 3º lugar na Taça da Europa, em Odivelas (Portugal). No escalão de cadetes, Margarida Fonseca, na categoria de -57 kg, em 17 de janeiro ganhou o Campeonato Zonal; em 1 de fevereiro foi 3ª no Campeonato Nacional e em 22 de março ficou em 1º lugar no Open de Montijo.
Região – Como qualquer clube vocês gostam de ganhar títulos, evidentemente, mas o vosso principal objetivo é mais a prática da modalidade, não é?
JP – Temos muitos atletas que praticam Judo só por praticar. Mesmo nos escalões de formação temos tido ao longo dos anos, e continuamos a ter, muitos jovens que estão connosco só pelo prazer de fazerem Judo, pelo desporto em si, por gostarem da arte marcial e do convívio. A competição é o expoente do que se treina ali. Por exemplo, neste momento a única pessoa no escalão sénior que se mantém em competição é a Yahima.
Judocas exercitando a rotação do corovelo num dos treinos da Secção de Judo da Casa do Povo de Rio Maior.
Região – Vocês têm inscrições abertas a qualquer momento?
JP – A inscrições estão sempre abertas.
Região – Imagine que apareciam 10 miúdos a quererem entrar ao mesmo tempo…
JP – Podiam entrar! Até era bom porque seria um grupinho em que estariam todos ao mesmo nível e poderiam crescer juntos na modalidade, embora para se aprender Judo não seja necessário entrar-se em grupo, porque é um desporto que se consegue assimilar facilmente e evoluir rapidamente.
Região – Depois do Miguel Louro, que foi campeão nacional, a Casa do Povo teve mais algum campeão?
JP – Tivemos, há dois anos, a Mariana Piedade. A Mariana foi campeã nacional em juvenis num ano, no seguinte foi 2ª ou 3ª classificada e agora fez a transição para os cadetes e continua no ativo.
Região – A Secção de Judo da Casa do Povo sustenta-se a si própria?
JP – No caso da Yahima, que é uma atleta que está em competição com o objetivo de ir aos Jogos Olímpicos, por vezes tem necessidade de ir a uma prova mas dados os constrangimentos existentes a Federação nem sempre a convoca. Só vão aos Jogos Olímpicos as 16 ou 18 melhores judocas do Mundo nas respetivas categorias e ela, para se manter nesse ranking tem que competir. Felizmente agora que está inserida no Projeto Olímpico, a Federação acaba por a levar muitas vezes. Se não for assim temos que recorrer à ajuda da Câmara Municipal e da Desmor.
Tirando esses momentos assim, com as quotizações e as mensalidades – a mensalidade é de 15,00 euros para todos, seja criança ou adulto – conseguimos sobreviver.
Região – Com o seu dojo no Estádio Municipal (entra-se pelo lado da Escola Profissional) a Secção de Judo da Casa do Povo de Rio Maior gostava de ter ainda mais jovens praticantes.
JP – O Judo é uma arte marcial completa em todos os aspetos; é tudo controlado, seja no treino seja ao nível da alimentação. E alivia o stress… Não há de ser por acaso que a UNESCO aconselha os jovens a praticarem Judo. Por isso apareçam no dojo da Casa do Povo.
Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição nº 1410, de 16/10/2015, do jornal Região de Rio Maior.