Existe um provérbio chinês que diz: «Para ter saúde precisa ter cabeça fria e pés quentes»
Vários são os factores que interferem com este equilíbrio fundamental, justificando-se, muitas vezes, nas situações mais graves e duradouras, o recurso a um profissional de saúde. Porém, problemas “menos sérios”, decorrentes da atribulada vida moderna, podem ser resolvidos, ou aliviados, recorrendo a práticas antigas e de efeitos comprovados. Cuidados básicos e simples, que podem ajudar a revigorar o corpo e permitir o relaxamento necessário para recompor as energias, são uma possibilidade que vale a pena explorar. Prestar atenção aos pés é um dos cuidados que nos traz grandes benefícios. Eles são o alicerce do corpo e tudo o que é alicerce deve merecer especial atenção. Cada pé possui 26 ossos, 33 articulações, 114 ligamentos tendinosos, 20 músculos e milhares de terminações nervosas que os relacionam com os diversos órgãos e partes do corpo. Assim, mais que um cuidado localizado, tratar dos pés é cuidar da saúde em geral. Higiene, hidratação, massagem e calçado adequado, são factores que devem merecer atenção diária. Um outro cuidado, datado de há quatro mil anos, com origem no Oriente, bem conhecido das nossas avós e ainda hoje muito usado, pelos benefícios que proporciona é o “famoso” escalda-pés, ideal para alívio de pés cansados e sofridos, depois de um dia de trabalho, mas também benéfico para calosidades, em constipações, gripes, alguns problemas relacionados com a circulação, tensão física e emocional (incluindo cefaleias), depressão ligeira, stresse e insónia, neste caso por ajudar a desbloquear a energia estagnada na cabeça, pescoço e ombros. O escalda-pés tem efeitos sobretudo em três importantes meridianos de acupunctura (baço, fígado e rim) e apesar de não ser remédio, é um poderoso auxiliar na redução ou eliminação de muitos problemas associados ao nosso equilíbrio energético.
A hora de preparar o escalda-pés deve ser à noite, imediatamente antes de dormir e depois de decorrido pelo menos uma hora sobre a refeição. A forma de preparação consiste em colocar água bem quente, sem queimar, numa bacia e mergulhar aí os pés, (cobrir os tornozelos), por 10 a 20 minutos. À água podem juntar-se duas ou três colheres de sopa de sal grosso (aumenta o benefício), ervas e ou óleos essenciais (por exemplo essência de eucalipto por ser bactericida). Adicionar periodicamente água quente para manter a temperatura e evitar correntes de ar é igualmente recomendável. Após este processo devem calçar-se meias de algodão ou lã e o procedimento pode ser repetido duas a três vezes por semana. Atenção porém às contra-indicações: Diabéticos, grávidas, doentes de câncer, febres muito altas, casos de arteriosclerose, doença de Buerger (doença que afecta os vasos sanguíneos de mãos, braços pernas e pés, provocando inchaço e impedindo a circulação de sangue), bem como hipertensos e hipotensos, estão “proibidos” de usar escalda-pés. Melhor ainda: sugiro a quem é portador de alguma doença grave ou crónica, que não recorra a esta prática sem aprovação de um profissional de saúde.
Cuide-se com naturalidade mas sobretudo com prudência e inteligência.
Texto escrito em desconformidade com o novo acordo ortográfico.
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