Municípios de Rio Maior e Bissau têm acordo de cooperação com especial com enfoque no domínio da formação
Adriano Gomes Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Bissau, mostra à assistência uma lembrança do Município de Rio Maior oferecida pela presidente, Isaura Morais, que recebeu do seu homólogo guineense uma peça de tecido confecionada na Guiné-Bissau.
As cidades de Rio Maior e de Bissau, capital da Guiné, por intermédio dos respetivos presidentes de Câmara, Isaura Morais e Adriano Gomes Ferreira assinaram no dia 2 de Julho de 2015, em Rio Maior, um protocolo de cooperação tendo em vista o reforço das relações de amizade e cooperação entre os munícipes dos dois territórios, que deverão passar pela promoção de trocas a nível da economia, cultura, sociais, educativas ou outras, em que é esperado uma papel ativo das diversas organizações representativas de ambas as partes, mobilizando os incentivos e os meios considerados adequados para o efeito.
Com uma duração de dois anos, este protocolo, prorrogável por iguais e sucessivos períodos de tempo sendo do interesse de Bissau e Rio Maior, será aplicado na medida das possibilidades existentes em cada momento, estando previstos encontros regulares entre representantes dos dois Municípios, para discutir parcerias e para assegurar o respetivo acompanhamento e avaliação.
No seu terceiro ponto residirá a principal preocupação do edil de Bissau. Atente-se:
“O Município de Rio Maior cooperará com a Câmara Municipal de Bissau, de acordo com as respetivas disponibilidades, através dos seguintes meios:
- a) Contribuição para a formação dos trabalhadores municipais de Bissau, em domínios de interesse para o Município de Bissau, designadamente através de programas de estágios;
- b) Fornecimento de meios técnicos e materiais adequados para projetos e programas municipais;
- c) Colaboração e intercâmbio regulares, de conhecimentos, experiências e informações entre os serviços municipais das partes contratantes;
- d) Empreender trâmites para o apoio ou financiamento de projetos de desenvolvimento local, quando tal circunstância se colocar no âmbito da presente cooperação, ou quando solicitado pela Câmara Municipal de Bissau.”
A este respeito falámos com o Dr. Luís Vicente (na foto é o terceiro a contar da esquerda), técnico da autarquia riomaiorense “que nos alerta para determinadas situações importantes a cada momento e que é o padrinho – para não lhe chamar pai – deste momento em que estamos” , brincou Isaura Morais logo no início do ato de celebração do protocolo. Luís Vicente, mercê das suas raízes guineenses é, digamos, um observador privilegiado das necessidades que a Guiné-Bissau enfrenta no que concerne aos serviços de uma autarquia da envergadura de uma câmara municipal. E esta é de facto uma oportunidade de ouro para o Município de Bissau, que se prepara para se candidatar a um programa da União Europeia que visa apoiar a modernização dos serviços municipais.
“O Município de Rio Maior vai ajudar a implementar esse programa a nível da capacitação ou da formação das pessoas” , começou por explicar Luís Vicente. “Estamos a falar de uma Câmara com 630 funcionários dos quais 60% têm menos do que o 9º ano de escolaridade e desses, 40% têm a 4ª classe; é uma falta de quadros e de formação impressionante. Cerca de 10% são técnicos profissionais e técnicos superiores, ou seja tudo o resto dificilmente funciona.” E prossegue: “O que a Câmara de Rio Maior pode fazer é ajudar a Câmara de Bissau a organizar-se, mas para isso é preciso formar as pessoas e o «know how» que nós temos podemos colocá-lo ao serviço desse objetivo e ajudar nesse intercâmbio com a Guiné-Bissau, que é um país irmão.”
Para Luís Vicente este é o momento de começar a alavancar as coisas, porque “os guineenses apostaram num Presidente competente, que já foi presidente de Câmara e para Primeiro-Ministro numa pessoa também com muita competência, que já foi secretário da CPLP durante seis anos, ao longo dos quais granjeou por esse mundo fora uma credibilidade enorme e isso permitiu que a mesa redonda, em Bruxelas, a que ele levou os projetos para o seu país, tivesse doado cerca de 1,5 mil milhões de euros” .
Atento às possibilidades de parcerias empresariais e outros pontos de contacto mutuamente vantajosos, Adriano Gomes Ferreira terá ficado especialmente interessado no conceito «Loja do Cidadão», que de resto visitou após a assinatura do acordo, acompanhado por Isaura Morais que o levou a conhecer também o Centro de Negócios e Inovação de Rio Maior e a Escola Profissional de Rio Maior e a almoçar no Centro de Estágios e Formação Desportiva de Rio Maior.
Texto e fotos: Carlos Manuel