Choupos negros não fazem alergia…
Choupos negros no quarteirão da Biblioteca Dr. Laureano Santos, no espaço verde ao lado da Av. Humberto Delgado.
“Choupos negros e plátanos podem gerar polémica entre moradores e a CMRM”
Sob este título o jornal Região de Rio Maior publicava na sua edição nº 1401 a notícia de que corria “entre os moradores da zona circundante da Biblioteca Municipal Dr. Laureano Santos de Rio Maior e imediações do quartel da GNR, um abaixo-assinado relacionado com a saúde e qualidade de vida de várias pessoas que estão a ser afetadas pela penugem largada pelos choupos negros ali existentes, na época da fertilização.
De facto, nessa época do ano o ar fica saturado dessa penugem/pólen e o chão debaixo dos choupos fica atapetado por uma camada esbranquiçada de dois ou três dedos de altura.
Este ano ter-se-ão registado alguns casos de recurso a assistência na saúde motivados por alergias.”
Nessa altura o abaixo-assinado já teria reunido cerca de três centenas de assinaturas. Já foi entregue à Câmara Municipal de Rio Maior, com mais algumas dezenas de assinaturas. Também foi assinado por pessoas que não sendo residentes na zona em questão, frequentam-na com assiduidade, designadamente a biblioteca e os correios, existindo também estabelecimentos comerciais e de restauração
Em agosto, quando o assunto foi abordado pela primeira vez numa reunião de Câmara, o vereador Augusto Figueiredo defendeu que “todas as árvores têm direito à vida mas há algumas que são mais adequadas a determinados locais do que outras”.
Por sua vez, “Carlos Frazão Correia referiu a existência de choupos um pouco por toda a cidade (Biblioteca, Jardim Municipal, Pavilhão Multiusos, etc.), recusou a ideia de Rio Maior passar a ser ‘o concelho anti choupo’ e se assim for ‘tudo o que é choupo corta-se’. E assumiu: “Enquanto vereador e eleito local não assumo essa postura de cortar as árvores pura e simplesmente; acredito que causem problemas de saúde, alergias, mas cortarem-se árvores, algumas com dezenas e dezenas de anos e substitui-las por outras, não é de ânimo leve que uma autarquia pode tomar essa decisão, porque uma árvore para atingir a dimensão das atuais leva uns bons anos.”
A questão voltou a ser colocada na reunião de Câmara desta segunda-feira, 23 de novembro, agora na sequência da entrega do abaixo-assinado.
Três ou quatro coisas ficaram claras:
- A autarquia consultou a Sociedade Portuguesa de Alergologia e a resposta foi no sentido de que do “algodão” dos choupos não resultam alergias; veio até a sugestão de que os choupos sejam podados.
- Informada a empresa que faz a manutenção dos jardins e das árvores da cidade, esta avisou a Câmara que será pior podar os choupos, pois as suas copas ganharão maior dimensão.
- Quando da plantação das árvores em redor da Biblioteca não se terá tido em conta o que poderia acontecer em consequência do envolvimento do quarteirão pelas barreiras arquitetónicas que são em relação àquelas plantas de grande porte, os prédios ali erigidos.
- O executivo está disponível para receber e esclarecer os moradores.
Posto de parte o risco de alergias, resta o incómodo que é a incrível quantidade da “penugem” que os choupos lançam na época reprodutiva, que invade as varandas, pousa na roupa a secar, penetra nas próprias casas e incomoda quem simplesmente respire ou abra a boca para falar, por exemplo.
As alergias polínicas dever-se-ão principalmente às gramíneas.
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