Obra da PEGOP no Tejo preocupa a região

O Município de Mação está preocupado com as obras a decorrer no Rio Tejo, junto à Central Termoelétrica do Pego

travessaotejo

O dono da obra é a PEGOP.

A PEGOP encara os trabalhos como sendo a reparação de um travessão sobre o Tejo com mais de 25 anos, mas os autarcas maçaenses estão preocupados. E não só; a ProTejo também já veio a terreiro e no Parlamento há quem queira ouvir o ministro do Ambiente sobre o que ele sabe do assunto.

Para a Câmara de Mação, a obra está a ter impactes, “negativos todos eles, ao nível ambiental, económico e social para o Concelho de Mação, em particular para a freguesia de Ortiga e seus habitantes”. Escarmentado pelo que se passou há 25 anos, quando da construção do travessão, que levou à necessidade de alterar o que estava previsto, “pelo manifesto obstáculo que criava à passagem dos peixes”, o chefe do executivo municipal, Vasco Estrela, invoca a “importância económica e social que a pesca tem na freguesia de Ortiga”, que inclusivamente potencia o desenvolvimento local “através da gastronomia e consequentemente o Turismo”.

Declarando-se estar “incondicionalmente ao lado da população do concelho de Mação, e no caso concreto da freguesia de Ortiga”, o autarca avisa que o Município não deixará de “fazer valer os seus direitos, pelos meios legais” que forem julgados necessários, mas também faz saber que se os interesses da PEGOP são legítimos os dos munícipes também são, tal e qual o da sua autarquia na “preservação de uma das suas maiores riquezas”, interesses que é preciso compatibilizar, tanto mais que é “reconhecida a responsabilidade social e ambiental da PEGOP e a relação cordial com as populações e entidades desta região”.

A principal preocupação em torno da obras do travessão sobre o Tejo tem a ver com a subida dos peixes, que é preciso assegurar, assim como eventuais problemas ambientais. No entanto a PEGOP já terá assegurado que tais preocupações, “legítimas, estão salvaguardadas, podendo vir a ser feitas alterações na obra” para que os peixes continuem a subir o rio e não haja consequências ambientais.

proTEJO emite comunicado

Já neste domingo, 13 de dezembro, o proTEJO – Movimento pelo Tejo emitiu um comunicado sobre a questão do travessão no Tejoteve, cuja “construção, que se iniciou no dia 8 de setembro do corrente ano”, “liga as duas margens do rio Tejo junto à Central Termoelétrica do Pego, sem qualquer passagem para peixes, criando assim um novo obstáculo à conectividade fluvial que afeta a progressão das espécies piscícolas e alterando a composição química das águas do rio por via das rochas calcárias utilizadas na sua construção”.

O proTEJO sublinha que “os impactos negativos deste novo obstáculo na progressão das espécies piscícolas e nos ecossistemas aquáticos serão acrescidos pela redução de caudais que tem ocorrido no rio Tejo, que se acentuará com os efeitos das alterações climáticas”.

Esta terão sido razões suficientes para o Movimento pelo Tejo tenha solicitado esclarecimentos às seguintes entidades:

À PEGOP – Tejo Energia solicitou o esclarecimento sobre que medidas serão tomadas para reverter os impactos ambientais negativos no rio Tejo, nomeadamente, a falta de conectividade fluvial fundamental para a progressão das espécies piscícolas;

À Agência Portuguesa do Ambiente solicitou esclarecimento sobre se a obra realizada corresponde ao licenciamento autorizado e se foi realizada uma análise dos impactos ambientais do travessão e quais as medidas que pretende tomar para reverter os impactos ambientais negativos, nomeadamente, a falta de conectividade fluvial fundamental para a progressão das espécies piscícolas.

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