Os alimentos de origem chinesa

Infelizmente as preocupações de quem vende raramente estão direccionadas para o interesse do consumidor

Texto: Garcia Cruz.*

Texto: Garcia Cruz.*

A China não é só o país rico e em grande crescimento económico de que todos temos ouvido falar. É também, ainda, um país de muita pobreza e abuso de direitos humanos, incluindo para com as crianças. Uma outra realidade trágica e criminosa é a poluição resultante desta desmedida cegueira por riqueza e poder, o que fez deste gigante mundial um dos lugares mais poluídos do mundo, com as enormes e nefastas repercussões que daí têm resultado para a saúde de todos os chineses, mas sobretudo dos seus milhões de pobres, agora cada dia mais doentes, e por isso ainda mais pobres. Entre as diversas e crescentes doenças resultantes da poluição do ar e da água, o cancro afecta cada vez mais pessoas naquele país, existindo já pelo menos 450 lugares designados “vilarejos de câncer” (fonte: Environment 360), cuja identificação e divulgação ao mundo, o governo chinês deixou de conseguir controlar. Escrevo isto a propósito de uma recente notícia, no Ocidente, sobre o alho importado da China, produto alimentar perigoso para a saúde pelo seu elevado teor em metais pesados. Idêntico alerta surgiu há 3 ou 4 anos, em Espanha, acerca das famosas bagas de goji, tão procuradas deste lado do mundo, pelo seu elevado poder antioxidante. Também as sementes de abóbora (pevides), o arroz integral e outros alimentos com origem naquele país e vendidos em muitos dos nossos espaços comerciais, podem não ser propriamente recomendáveis. Produzimos em Portugal alho e arroz de muito boa qualidade, o mesmo acontecendo com as sementes de abóbora e até as bagas de goji, já produzidas em Trás-os-Montes de forma biológica (Youtube – Bagas de goji). É claro que os grandes importadores de alimentos preferem importar da China a preços que lhes permitem muito maiores margens de lucro. Infelizmente as preocupações de quem vende raramente estão direccionadas para o interesse do consumidor. Por outro lado, as entidades fiscalizadoras, talvez não sejam, nos dias que correm, suficiente garantia da qualidade de todos os produtos alimentares. Compete-nos então, enquanto consumidor final, a bem da nossa saúde e até melhoria da economia nacional, estar mais atentos e ser mais exigentes. O nosso corpo agradece e o país (todos nós) só tem a ganhar com isso. Leia então os rótulos. Conheça a origem dos produtos.

Para concluir, resta-me dizer que há na China um outro lado que me fascina.

Nota: Texto escrito em desconformidade com o AO.

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