N a tórrida tarde de domingo, segundo dia do Torneio da Murteira, as equipas da UDRM (que alinhou de vermelho e preto) e da Associação Murteirense encontraram-se para decidir o vencedor do torneio, e no final a frescura física dos atletas acabou por fazer pender os “pratos da balança” para o lado da casa. Ainda assim a UDRM, que se apresentou na Murteira com o plantel extremamente condicionado (contando apenas com 16 elementos durante os dois dias do evento) e sem poder fazer rotação de jogadores, discutiu a partida até perto do final.
Com apenas dois defesas centrais disponíveis, Mauro Pulquério e Manuel Neto (de apenas 17 anos) e sem poder contar com o central Fábio Soares e o médio Piquet (lesionados), com ausências dos extremos André Sousa, Luís Henriques e Alberto Silveira e dos “britânicos” Leonard e Jeffrey, tendo ainda alguns jogadores que jogaram condicionados, não se pode dizer que tenha sido um mau ensaio por parte da equipa riomaiorense, que durante a primeira metade do encontro jogou de igual para igual com o seu adversário, e apenas na ponta final da segunda metade viu a sua produção cair a pique devido ao notório cansaço dos seus atletas.
Condicionalismos: com o Murteirense Bruno Costa (lateral direito) acabou a extremo esquerdo.
Após uma entrada forte dos homens da casa, a UDRM fez subir as suas linhas e acertou marcações “mais à frente” impossibilitando a saída apoiada da equipa adversária, passando a controlar a partida a meio-campo e causando imensas dificuldades ao adversário no acompanhamento das transições ofensivas. Foi precisamente em duas situações de transição rápida que a UDRM poderia ter chegado à vantagem. Com Persi em claro destaque nesse bom período riomaiorense, e a levar a bola ao ataque, Sabino apareceu na esquerda mas, apenas com o guardião contrário pela frente, acabou por não conseguir aproveitar o excelente cruzamento rasteiro do avançado cabo-verdiano, para acertar no alvo.
Pouco depois foi a vez do próprio Persi desperdiçar uma oportunidade soberana, pois após conquistar uma bola a um adversário na frente de ataque, acabou por, no um-para-um com o guarda-redes, fazer um autêntico passe para a defesa deste. Não ficou nada contente o avançado, mas o esforço na conquista do esférico valeu-lhe os aplausos e apoio da equipa técnica.
Já se começava a notar alguma quebra física na forma como a UDRM abordava o jogo, quando Manel (UDRM) protagonizou um excelente trabalho individual na esquerda e levou a bola até à linha de fundo cruzando em seguida para o poste mais afastado onde, Sabino, não contando com a falha na intercepção de um defesa, acabou por rematar fraco e à figura do guardião contrário. A UDRM acabou mesmo por abrandar o ritmo, permitindo ao adversário tomar conta do jogo nos últimos minutos da primeira parte, aproximando-se com mais perigo da área riomaiorense.
Saliente-se, nesta fase, um fenomenal corte de Mauro, pelo chão, quando o adversário já preparava o remate com a baliza à sua mercê, e uma intervenção do médio Alves sobre a linha de golo, que evitaram o golo dos homens da casa.
Na segunda parte, com o Murteirense a mudar mais de meia equipa, refrescando essencialmente o meio-campo e o ataque, o jogo intenso praticado pelas duas equipas acabou por fazer mossa na equipa de Rio Maior, que ainda assim não deu parte de fraca e foi conseguindo manter a equipa contrária longe da sua baliza durante a maior parte do tempo.
Foi já perto do minuto 80 que o Murteirense chegou ao primeiro golo. Num lance que parecia destinado ao insucesso, o cruzamento do lateral contrário saiu demasiado largo e alto mas, a jogar contra o sol, o guardião Luís Pinto (UDRM) acabou por perder a trajectória da bola e, quando esta bateu à sua frente, era tarde mais. Mesmo esticando-se já não conseguiu chegar à bola que acabou por entrar na baliza riomaiorense.
Os últimos minutos foram de intenso domínio da equipa da casa, que acabou por avolumar o resultado, num bom movimento colectivo, para 2-0. O resultado só não se tornou mais pesado porque Luís Pinto evitou com uma grande defesa o 3-0 e, depois de fazer falta sobre um adversário na grande área, o penalti acabou por sair ao lado.
A equipa de Rio Maior sai da Murteira com a cabeça levantada, pois tendo em conta todas as condicionantes com que chegou ao jogo final, a derrota não envergonha ninguém… muito pelo contrário, pois a equipa técnica pode tirar boas ilações da prestação da equipa.
Notou-se ainda assim, a falta que os extremos fizeram, sendo necessário dotar a frente de ataque com mais criatividade e um homem de área. Já a juventude do plantel pode ser uma mais-valia, mas parece-nos também que falta ainda um ou dois elementos que possam conferir mais experiencia à equipa, em determinados momentos do jogo, que mesmo assim – e voltamos a frisar os condicionalismos que têm afectado o conjunto riomaiorense neste início de época – tem dado uma excelente resposta e parece prometer um campeonato descansado.