Bernardo Monteiro – um jovem profissional
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“GOSTO DE SER COZINHEIRO”
Bernardo Monteiro.
O jornal REGIÃO de Rio Maior ( REGIÃO ) esteve à conversa com Bernardo Monteiro ( BM ), cozinheiro de profissão, 22 anos de idade, riomaiorense de São João da Ribeira, filho de Célia Teresa e Jó Monteiro, antes da sua partida para Dénia, em Alicante (Espanha) onde foi trabalhar num restaurante com uma estrela Michelin.
Um percurso académico ligado à cozinha e pastelaria e uma infância vivida entre familiares com jeito para a cozinha fazem de Bernardo Monteiro um entusiasta pela gastronomia e por tudo o que a complementa, com vontade de trabalhar e aprender mais nessa área.
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REGIÃO – Como foi o seu percurso escolar?
BM – Andei na escola em Rio Maior. Terminei o 9º ano na Escola Fernando Casimiro Pereira da Silva e prossegui estudos na Escola de Hotelaria e Turismo de Santarém através do Ensino Profissional. O curso era de 3 anos mas devido ao encerramento dessa escola em Santarém tive de terminar o último ano na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto.
REGIÃO – E durante os estudos esteve a trabalhar?
BM – Sim, tive várias experiências. Estive no Convento do Espinheiro, em Évora e trabalhei com o Chefe Avilez em três restaurantes: no Cantinho do Avilez, no Belcanto (que tem duas estrelas Michelin) em Lisboa e no Já em Casa, em Cascais.
Estojo de instrumentos de trabalho de Bernardo Monteiro.
Os Chefes de Rio Maior
REGIÃO – Quando terminou o curso da Escola de Hotelaria e Turismo, com equivalência ao 12º ano, e acabaram esses estágios profissionais, foi para onde?
BM – Depois vim para Arrrouquelas e fiquei no MaeLuisa do Chefe Igor Martinho. Também fui trabalhar para Sagres com o Chefe Michael Valentim, que também é de Rio Maior, no Resort Martinha.
REGIÃO – Retomou estudos?
BM – Sim. Tirei outro curso, desta vez de Gestão e Produção de Pastelaria, na Escola de Hotelaria e Turismo das Caldas da Rainha. É um curso avançado, de nível 5. De seguida estagiei no Pestana Palace, em Lisboa e após o estágio fui contratado como cozinheiro.
REGIÃO – Como foi a sua passagem pelas Caldas da Rainha?
BM – Acabei por fazer esse curso nas Caldas da Rainha porque não consegui entrar na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. Acabou até por ser mais fácil de conciliar porque Caldas da Rainha fica mais perto do que Lisboa.
REGIÃO – Não lhe tem faltado trabalho, calculo… Já teve experiências profissionais internacionais?
BM – Sim. Estive na cidade de Dénia, na região de Alicante, em Espanha, no restaurante Quique Dacosta, do Chefe com o mesmo nome, que está classificado como o 62º restaurante entre os 100 melhores do Mundo, tendo conquistado três estrelas Michelin. Terminei esse trabalho a 20 de julho (nr.: de 2017) e estou a tirar alguns dias de folga até partir para Valência, para outro restaurante do Chefe Quique Dacosta, o Poblet, que também já tem uma estrela Michelin.
REGIÃO – Recapitulando: quantos cursos tirou e quais?
BM – Dois. Cozinha e Pastelaria é a minha área principal. De seguida tirei um curso nível 5 de Gestão e Produção de Pastelaria. Decidi frequentar o segundo curso para alargar os meus conhecimentos. O estágio de 3 meses no Pestana Palace foi de Pastelaria mas o tempo que estive contratado já foi como cozinheiro.
REGIÃO – Não é Chefe mas é quase…
BM – Não tenho título de Chefe e para já essa não é a minha ambição. Gosto de ser cozinheiro. Para o futuro… Quem sabe?…
REGIÃO – Quando está de férias qual é a sua relação com a cozinha? E a família como reage?
BM – Tento fazer uma pausa mas se vou para a cozinha volto sempre ao mais tradicional ainda que conciliando com alguma coisa da experiência que fui adquirindo profissionalmente. A família e os amigos agradecem e apreciam mas também respeitam a necessidade de descanso. Esta é uma profissão que, embora gratificante para quem gosta mesmo, tem horários excessivos que vão de 12 a 18 horas diárias.
REGIÃO
– Que função vai assumir no restaurante El Poblet, em Valência?
BM
– Vou ser Chefe de Partida da Secção de Carnes. Em alguns restaurantes a hierarquia da cozinha abaixo do Chefe divide-se em sub-chefes ou chefes-juniores, mas em algumas grandes cozinhas chama-se Chefes de Partida aos responsáveis de cada área específica, que comandam uma equipa de assistentes com a mesma função.
REGIÃO
– Disse que quer continuar a aprofundar conhecimentos. Isso é mesmo necessário para um cozinheiro?
BM
– Hoje em dia um cozinheiro tem de se especializar em outras áreas para além da Cozinha em si, como por exemplo, vinhos ou outras áreas complementares.
REGIÃO
– Sempre teve vocação para a Cozinha?
BM
– Sim. Sempre tive na família grandes cozinheiros embora não profissionais. Posso dizer que entrei para o mundo da Cozinha antes desse grande “boom” da moda de cozinheiros que aparecem nas revistas e na televisão. Não foi isso que me influenciou. Sempre tive grande gosto e entrega por esta área e só quem está neste ramo é que sabe que é preciso mesmo muita entrega para conseguir atingir objetivos.
Entrevista: Carlos Manuel/C.A.M.