Descarga de efluentes da cidade no ribeiro de São Gregório é coisa de séculos passados.
Uma “boca” escondida pela vegetação na margem do lado do jardim municipal expelia efluentes.
Efluentes. São Gregório tenta atravessar a cidade de Rio Maior por um canavial encanado*, faça chuva ou muito sol, num caudal que às vezes, poucas, se vê e outras apenas se lobriga em fio malcheiroso o que já de si é mau.
Pior fica quando os esgotos da cidade despejam nele efluentes de cores repelentes, entre o esbranquiçado e o esverdeado passando pelo amarelado bilioso, fétidos de se apertar o nariz e fugir enquanto se consegue sobreviver sem ar.
Os esgotos da cidade despejam no ribeiro efluentes de cores repelentes, fétidos.
Vai acontecendo. Ainda ontem, segunda-feira, 10 de setembro, voltou a acontecer naquele troço do ribeiro entre a ponte da Avenida João Afonso Calado da Maia (debaixo da qual reside água com tendência a estagnar) e o resto do percurso até desaguar no rio Maior por trás das Varandas do Rio, bordejando o jardim municipal (de onde uma “boca” escondida pela vegetação expelia efluentes) e na outra margem um sítio onde ainda existem empresas de porta aberta, uma área residencial e mais adiante a zona das instalações paroquiais, seguindo depois pelo enorme canavial que o esconde mais ou menos ao longo da rua paralela à Rua Nova do Gato Preto.
Ora se Rio Maior tem uma ETAR não se poderá entubar os efluentes da cidade e enviá-los para lá?
Ora se Rio Maior tem uma ETAR e se diz a Águas do Tejo Atlântico e eu cito que a mesma “serve o Município de Rio Maior e descarrega o efluente tratado na bacia do Tejo e foi dimensionada para tratar um equivalente populacional de 17.500 hab. eq., ao qual corresponderá um caudal médio de 3.325 m3/dia” (https://www.aguasdotejoatlantico.adp.pt/content/rio-maior), não se poderá entubar até à referida ETAR os efluentes que em pleno século XXI, ano de 2018, ainda são descarregados para a ribeira de São Gregório, que atravessa a cidade de Rio Maior desde a ponte da Avenida Mário Soares ao pé do Estádio Municipal, passando entre este e os campos de ténis e padel e as Piscinas Municipais, entre a EBI Marinhas do Sal e o campo de treinos de futebol relvado nº 2, entre o Centro de Estágios e Formação Desportiva e mais adiante a EBI Fernando Casimiro e as áreas residenciais/comerciais que se estendem desde o topo da Avenida Paulo VI, passando pela Pá Ribeira e ambos os lados da Rua Poeta Ruy Belo, até à Avenida Calado da Maia (do troço restante já falei lá atrás), contaminando o meio ambiente, contribuindo para poluir o rio Maior que é por sua vez um afluente do rio Tejo, etc.?
É que os efluentes a serem despejados no ribeiro que atravessa a cidade é coisa de séculos passados!
Texto e fotos: Carlos Manuel
* Ultimamente, o canavial que infesta o ribeiro foi cortado entre a ponte da Av. Mário Soares junto ao Estádio Municipal e a ponte de acesso da Av. Paulo VI ao Complexo Desportivo.
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