Uma conversa com José Neves sobre o seu primeiro CD – Tradição Fadista, com espetáculo de lançamento a 21 de abril, no Cineteatro de Rio Maior.
José Neves lança em 21 de abril o CD «Tradição Fadista».
José Neves começou a cantar o fado já mais a sério por volta dos 30 anos de idade, influenciado pela sua irmã, a fadista Natália Ferreira, a partir da altura em que geralmente a acompanhava quando era convidada a atuar aqui e ali.
Mas o gosto pelo fado já vinha de trás, de miúdo, de ouvir o pai a cantá-lo lá na taberna. “E depois, os músicos, de me verem tantas vezes com ela começaram a perguntar-me porque é que eu não cantava também… Eles queriam saber porquê, se eu não sabia cantar uns fadinhos… Saber, sei e sei muitos mas nunca calhou, lá ia eu respondendo. Até que certo dia, para os lados de Tomar, o guitarrista disse-me: – hoje vais cantar dois fadinhos –. Mas eu não sei os tons… – Não faz mal, tiramos já aqui os tons –, que foi o que fez logo ali em cima do joelho. E eu cantei os dois fados, a medo e tal… A partir daí, como acompanhava muito a Natália comecei a cantar dois ou três fadinhos aqui e acolá, comecei a tirar outros tons, a ensaiar outros fados e foi assim que tudo começou. Andei praticamente os últimos 15 anos a cantar o fado quase todos os fins de semana”, conta José Neves ao Região de Rio Maior.
O fadista riomaiorense chega ao seu primeiro CD em 2018. Ao facto de ter tido sempre o desejo de gravar um CD seu, de fados, somou-se agora a possibilidade de o fazer sem ter que ir para fora de Rio Maior e em ambiente familiar. “O meu filho, o Diogo, montou um pequeno estúdio de gravação e veio daí a oportunidade de avançar para a gravação do CD; dei-lhe uma pequena ajuda e a contrapartida foi gravar o disco, que vai ser o primeiro CD a sair do estúdio do Diogo. Ele concordou e dias depois estávamos a gravar!”, explica José Neves. “Falei com os músicos, eles dispuseram-se a vir gravar digamos que a troco do gasóleo para a viagem… Isto de gravar um CD tem os seus custos mas como eu não tinha que pagar o estúdio, deu para lhes pagar o gasóleo”, refere. “O Diogo fez a mistura e a masterização no seu estúdio e depois os CD’s foram prensados na fábrica em Leiria, a Master CD”, informa ainda.
Descrevendo esta sua primeira experiência em estúdio – o estúdio do Diogo está bem apetrechado –, José Neves relata que no dia em que lá foi com os músicos, gravaram primeiro os instrumentos “comigo lá num cantinho da sala a dar apenas uma voz guia”. Só depois de estar a música gravada é que deu a voz. “Meter a voz é uma coisa um bocado complicada; quando estamos a cantar em sintonia com os músicos o fado vai andando mas ali tive que cantar exatamente como tinha cantado antes, o que é difícil porque um fado nunca se canta da mesma maneira, basta acentuar mais uma sílaba ou ‘esticar’ mais um bocadinho ou menos um bocadinho a voz e já não é a mesma coisa”. A gravação do CD foi uma experiência gratificante para o fadista que considera ter sido “um trabalho bem feito”.
José Neves não toca qualquer instrumento – chegou a comprar duas guitarras para os filhos porque queria que aprendessem a tocar mas eles não foram por aí –, mas confessa-se satisfeito porque “um CD meu era uma coisa que eu gostava de fazer, de ter e de deixar para a posteridade”. Não descarta a possibilidade de vir a avançar para mais discos: “Vamos ver o que dá este primeiro CD, como é que o aceitam…” Em todo o caso, o fadista assume que ter gravado este primeiro CD, não implica que deixe de ser fadista amador para enveredar por uma carreira profissional.
Por outro lado, o CD «Tradição Fadista» é o contributo de José Neves para a projeção do estúdio do Diogo. “Inclusivamente já tive dois amigos que também cantam fado, que me disseram que a ideia de gravar um CD é interessante e que se calhar farão o mesmo”, refere.
«Tradição Fadista» contém três ou quatro fados que era habitual José Neves cantar mas todos os outros são novidade. O CD tem um total de 16 fados e poderá ser adquirido junto do próprio fadista a partir de 21 de abril, dia do Espetáculo de Lançamento no Cineteatro Municipal de Rio Maior, marcado para as 21 horas. Preço: 10,00€.
Com acompanhamento à guitarra portuguesa de Diogo Ferreira, à viola de fado de Rui Girão e à viola baixo de fado Fernando Nani, atuarão no Espetáculo de Lançamento o próprio José Neves, Natália Ferreira, Fernando Albano, Dina Mendonça, Vasco Serra, Carolina Santos e Filipe Gonzaga.
A apresentação será feita por Cláudia Fragoso, locutora da Rádio Hiper FM e Rádio Sim.
Texto e fotos: Carlos Manuel
Sabores do Toiro Bravo, gastronomia ribatejana